Relatório aponta mudança no perfil dos crimes no Brasil, com foco crescente em cargas de alto valor, atuação urbana e aumento expressivo dos prejuízos no Rio de Janeiro
O roubo de cargas no Brasil ganhou um novo perfil no primeiro trimestre de 2026. Mais seletivas, organizadas e voltadas para mercadorias de maior valor agregado, as quadrilhas passaram a atuar com intensidade crescente em áreas urbanas e operações de “última milha”, ampliando os prejuízos em regiões estratégicas do país. O Sudeste voltou a liderar com folga o mapa nacional do risco, concentrando 78,2% das perdas registradas no período.
Os dados fazem parte do relatório “Report nstech de Roubo de Cargas”, elaborado pela nstech, companhia especializada em tecnologia para supply chain na América Latina. O levantamento reúne informações das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, empresas que integram o ecossistema da organização.
O principal destaque do estudo é o crescimento explosivo do estado do Rio de Janeiro no ranking nacional de prejuízos com roubos de carga. O estado passou de 16,4% das perdas no primeiro trimestre de 2025 para 44% em 2026, consolidando-se como o principal epicentro da criminalidade logística no país.
Enquanto isso, a região Norte, que havia registrado participação relevante no ano anterior, zerou as ocorrências no período analisado. Já o Nordeste avançou e atingiu 20,2% dos prejuízos nacionais, com destaque para a Bahia, que saltou de 0,7% para 9,2%.

Outro ponto que chamou a atenção foi a mudança no perfil das cargas roubadas. Os medicamentos passaram a ocupar posição de destaque entre os alvos das quadrilhas, saltando de apenas 1,7% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período deste ano.
Segundo o relatório, o crime organizado passou a operar com foco em mercadorias de alta liquidez e retorno financeiro elevado. As cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão representaram 40,4% de todos os prejuízos registrados no trimestre, sendo quase metade dessas perdas ligadas ao setor farmacêutico.
As cargas fracionadas seguem liderando o ranking geral de ocorrências, respondendo por 36,6% dos casos e apresentando crescimento de 8,2% na comparação anual. Em contrapartida, o roubo de cigarros apresentou forte retração, despencando de 34,1% para apenas 3,7%.
O levantamento também mostra uma migração clara das ações criminosas para áreas urbanas. No Rio de Janeiro, 60,7% dos roubos ocorreram em trechos urbanos, responsáveis por 51,9% de todo o prejuízo registrado no estado. Em nível nacional, a participação das ocorrências urbanas mais do que dobrou, passando de 18,9% para 38,5%. O movimento reforça a preocupação do setor logístico com os riscos nas etapas finais da distribuição.
“Diante dos dados, fica claro que o foco dos criminosos não é mais o volume e sim o valor da carga e sua liquidez. Essa migração tem implicações diretas para a segurança logística no Brasil. O risco se aproxima da última milha, se infiltra em operações urbanas e exige uma resposta cada vez mais baseada em inteligência, integração de dados, colaboração logística e capacidade de adaptação”, afirma Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech.

O estudo também identificou mudanças importantes no calendário das ações criminosas. A quinta-feira passou a concentrar o maior volume de prejuízos, com 30% dos registros, seguida pelas segundas-feiras, com 20,7%, e terças-feiras, com 16,5%.
Os horários de maior risco também mudaram. A manhã concentrou 28,6% das ocorrências, enquanto a madrugada alcançou 28%, apresentando crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano passado, quando representava apenas 12,4%. Entre as principais rotas críticas do país, as rodovias BR-101 e BR-116 voltaram a liderar os índices nacionais de prejuízo com roubos de carga, respondendo por 21,6% e 13% das perdas rodoviárias, respectivamente.
Apesar do cenário mais complexo, o relatório aponta que os investimentos em tecnologia, rastreamento e inteligência preditiva têm ajudado empresas do setor a reduzir impactos financeiros. Entre janeiro e março de 2026, as gerenciadoras ligadas ao ecossistema da nstech evitaram mais de R$ 72 milhões em prejuízos. Mesmo com aumento de 13% no volume de mercadorias monitoradas, ultrapassando R$ 550 bilhões no trimestre, o índice de sinistralidade caiu e o volume de cargas recuperadas cresceu 9%.
“A antecipação e a prevenção exigem inteligência aplicada, integração e uso intensivo de dados para identificar padrões e agir antes que o risco se concretize. Transformar informação em estratégia e depois em ação é o caminho para ampliar a segurança nas estradas brasileiras”, conclui Tanganelli. Acompanhe mais reportagens exclusivas sobre transporte, logística, segurança nas estradas e os bastidores do setor no nosso portal. Atualizações diárias, análises e conteúdos especiais para quem vive o transporte de perto.

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