Mesmo com petróleo Brent em baixa e projeções de recuo no diesel internacional, fatores internos podem impedir alívio no bolso do transportador brasileiro
As projeções para 2026 apontam para um cenário de queda no preço do diesel no mercado internacional, impulsionado principalmente pela desvalorização do petróleo. Estimativas da U.S. Energy Information Administration (EIA) indicam que o diesel nos Estados Unidos deve registrar média de US$ 3,50 por galão no próximo ano, representando uma redução em relação a 2025 e refletindo um ambiente global de menor pressão sobre os combustíveis.
Um dos principais vetores dessa tendência é a expectativa de recuo de cerca de 20% no preço do barril do petróleo Brent, que pode fechar 2026 com média anual próxima de US$ 55. Para Vitor Sabag, especialista em combustível da Gasola by nstech, o movimento está ligado ao aumento dos estoques globais, à desaceleração da demanda e à ampliação da oferta, especialmente por parte dos países da OPEP+ e seus aliados.
De acordo com Sabag, apesar desse cenário mais favorável no exterior, a queda do diesel no Brasil está longe de ser uma certeza. O mercado interno possui características próprias e depende de uma série de fatores que vão além da cotação internacional do petróleo, o que torna qualquer projeção mais cautelosa, especialmente para quem vive do transporte rodoviário de cargas.

No Brasil, a Petrobras continua exercendo papel central na formação dos preços do diesel, mesmo com a presença de refinarias privadas e importadores. Desde 2023, a estatal abandonou a política de paridade internacional e passou a adotar um modelo baseado no custo alternativo de importação e nos seus próprios custos de produção e refino, o que trouxe menos previsibilidade aos reajustes.
Sabag destaca que esse novo formato também prevê a utilização de um mecanismo de amortecimento para suavizar oscilações de curto prazo. No entanto, a ausência de regras claras sobre como esse “colchão” é aplicado gera dúvidas no mercado sobre o ritmo e o momento de eventuais reduções de preços, mesmo em um cenário de queda do petróleo.
Outro ponto que pesa contra uma redução imediata do diesel no país é a composição do preço final nos postos. Além do petróleo, entram na conta o câmbio, a mistura obrigatória de biodiesel, os impostos, as margens de refino, os estoques e até fatores geopolíticos, como conflitos internacionais e decisões estratégicas da OPEP.
Para completar, 2026 será ano eleitoral no Brasil, e o histórico mostra que o ambiente político costuma influenciar decisões relacionadas aos combustíveis. Esse contexto adiciona mais incerteza à atuação da Petrobras e levanta questionamentos sobre possíveis intervenções ou estratégias para segurar preços.
Mesmo com o diesel em trajetória de baixa no mercado global, o cenário brasileiro segue indefinido. A prova disso é que já está previsto para janeiro de 2026 um aumento de R$ 0,05 por litro no diesel, resultado do reajuste do ICMS. Para o transportador, o desafio continua sendo conviver com um combustível caro, volátil e altamente sensível a decisões que vão muito além do preço do petróleo lá fora.

Super Motoristas
Comentarios