Nascidas na mesma cidade e com poucos anos de diferença, a rivalidade das marcas dura séculos e tem capítulos icônicos, como a eterna disputa entre F-600 e D-60
Poucas rivalidades no mundo automotivo são tão marcantes quanto a que existe entre Ford e Chevrolet. Uma disputa que nasceu no início do século 20, não só pelos corações dos motoristas, mas também pela liderança em vendas, inovação e robustez. O embate que começou nos automóveis logo se estendeu para o universo das caminhonetes e caminhões, onde cada marca passou a disputar palmo a palmo quem oferecia o melhor veículo para trabalho pesado, transporte e logística.
O ponto de partida dessa rivalidade é a cidade de Detroit, no estado de Michigan, Estados Unidos. Em 1903, Henry Ford deu início a uma revolução na indústria automotiva e popularizou a linha de montagem com o Ford Modelo T, que rapidamente dominou o mercado de carros populares naquele período. Na mesma cidade, o piloto de corridas Louis Chevrolet, junto a William Durant, fundou a Chevrolet em 1911 com a missão clara: bater de frente com a Ford em qualidade e desempenho e que competisse diretamente com o sucesso do Modelo T.
Ambas as marcas passaram a disputar diretamente o mercado de veículos comerciais entre 1930 e 1940, principalmente com picapes e caminhões médios, essenciais para o crescimento da indústria, da agricultura e do comércio. Com os anos, ambas as marcas estenderam a disputa por diversos segmentos, com cada uma buscando a liderança no mercado. Especialmente nos Estados Unidos, conquistaram muitos consumidores fiéis, que defendem seus produtos com entusiasmo, aumentando ainda mais a atmosfera de rivalidade entre os fãs.

No Brasil, as rivais também disputavam o mercado, porém, com algumas diferenças. Em 1948, quando a Ford colocou em produção o F-Series, uma série de caminhões leves e caminhões médios (Classe 2-7), que incluía picapes de tamanho normal, caminhões de chassis e veículos comerciais, estava prestes a completar 30 anos no país, e já havia montado mais de 200.000 veículos, época em que a industrialização ainda estava engatinhando.
Já a Chevrolet, chegou ao Brasil, em 1925 como General Motors e encontrou um terreno amplo para desenvolver seus veículos, já que na época só havia a fábrica da Ford. A empresa foi registrada como Companhia Geral de Motores do Brasil S.A. (posteriormente, General Motors of Brazil e General Motors do Brasil) e se instalou em um prédio industrial no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo, com fabricações e importações sob a forma CKD, porém com motores e transmissões totalmente montados.
Porém, a partir de 1956, a política industrial brasileira passou por um momento de transição e passaram a surgir iniciativas do governo para incentivar a nacionalização de veículos. A Ford apresentou um projeto que foi aprovado e já no início de 1957, quase a totalidade dos componentes das cabines já era estampada no Brasil; a produção de algumas partes era terceirizada, caso das caçambas de picapes fornecidas pela Máquinas Piratininga e algumas centenas de itens diversos eram adquiridos junto a outros fabricantes nacionais.

Pátio da fábrica da General Motors do Brasil em 1948, ainda não concluída, com uma amostra de sua produção na época: ônibus e caminhonetes com carrocerias nacionais – metálicas e de madeira, caminhões com cabines já fabricadas no Brasil e automóveis Chevrolet aqui montados (fonte: site felipebitu).
Nesse mesmo passo, a Chevrolet também expandia no Brasil, na mesma intensidade e velocidade que sua rival. A Chevrolet no Brasil já tinha uma presença significativa, com a produção local da picape 3100, conhecida como "Boca de Sapo" e a picape "Brasil", além de outros modelos, como o Fleetline Aerosedan. A empresa também inaugurou a primeira linha de montagem no país, marcando o início da produção de veículos Chevrolet nacionalmente.
O primeiro caminhão Chevrolet fabricado no Brasil foi o Chevrolet 6500, também conhecido como Chevrolet Brasil, lançado em 1958. Este modelo foi produzido na fábrica da GM em São Caetano do Sul, em São Paulo, e marcou o início da produção nacional da marca. Mas quem foi o pivô de uma das maiores rivalidades entre modelos de caminhão, seria lançado somente em 1965 como o primeiro caminhão Chevrolet a diesel fabricado no país: O D-60 utilizando um motor Perkins de seis cilindros.
Ao longo das décadas, a briga ficou cada vez mais acirrada no segmento de caminhões. A disputa entre o Ford F-600 e o Chevrolet C-60, dois gigantes nas décadas de 1970 e 1980, dividiu a preferência de transportadores em todo o Brasil. Enquanto a Ford apostava em robustez, com uma linha F reconhecida pela resistência, a Chevrolet destacava-se pela simplicidade mecânica, baixo custo de manutenção e uma rede de concessionárias bastante presente, especialmente nas áreas rurais.

Ford F-600
Lançado em 26 de agosto de 1957, o Ford F‑600 foi o primeiro caminhão Ford nacional. Produzido na fábrica do Ipiranga (SP), ele trouxe 40% de nacionalização, com motor V8 a gasolina de 4,5 L e 161 cv, e capacidade de carga de até 6,5 toneladas. Esse Fordão marcou uma nova era: se popularizou principalmente porque foi muito usado durante a construção de Brasília, puxando cargas de São Paulo até o centro do Brasil, onde estava sendo erguida a futura capital do país.
Entre o final dos anos 1950 e início de 1960, o F‑600 tornou-se presença constante em diversos nichos: transportes públicos improvisados (como “jardineiras” de madeira), atividades agrícolas e cargas leves a médias. O modelo parecia simples e eficiente: tinha câmbio de 4 marchas, diferencial com reduzida e, à época, era considerado “o bruto do asfalto”. Teve muita aceitação nacional, tanto que esses veículos passaram a ser utilizados para diversas outras finalidades dos governos brasileiros.
Em 1961, o Ford F-600 mudou um pouco e já vinha equipado com o motor V8 272 a gasolina, de 4.5 litros e 164 cv. O caminhão atingiu a incrível marca de 40.000 unidades produzidas desde o lançamento, um número bastante significativo em uma época onde o Brasil engatinhava economicamente e ainda iniciava seu processo industrial. As indústrias Ford passaram por uma grande reformulação se dobrando à realidade local, que se afastava cada vez mais dos motores a gasolina no transporte de cargas, lançando seu primeiro veículo diesel, equipado com motor Perkins de seis cilindros e 125 cv.
O F-600 Diesel recebeu poucas modificações com relação ao modelo a gasolina: apenas reforço da suspensão dianteira e substituição do logotipo “V8” na grade por outro, nomeando o novo combustível. No ano seguinte, o caminhão médio ganhou a versão F-600-148″, com menor entre-eixos (3,77 m), próprio para receber carroceria basculante ou 5ª roda, com capacidade de tração de 12 t.

Chevrolet D-60
A Chevrolet conseguia suprir bem as demandas do mercado. No início dos anos 1950, seus caminhões eram os mais comprados no país e em junho de 1957 os caminhões da marca já contavam com cerca de 40% (em peso) de componentes nacionais; naquele ano foram fabricadas 5.370 unidades do modelo 6503 para seis toneladas. Os primeiros caminhões de fabricação brasileira, o 3100, o 6500 e suas variações, ficariam conhecidos como Chevrolet Brasil com motor a gasolina. Na concorrência nacional estava o Ford F-600 também a gasolina que havia sido nacionalizado no ano anterior, o MB L-312 e também o FNM com o modelo D-11.000 a diesel.
Tratava-se de um caminhão “básico”, de concepção absolutamente convencional, com antiquado motor a gasolina nascido nos EUA nos anos 30: chassi tipo escada, molas semielípticas, eixos rígidos, freios hidráulicos a tambor com assistência a vácuo, caixa de quatro marchas sincronizadas, diferencial de duas velocidades e motor com seis cilindros (quatro mancais), 4,3 litros e 142 cv. Em 1964, foi lançada a segunda geração da Chevrolet e no ano seguinte o D-60, com motor diesel Perkins seis cilindros e caixa com quatro ou cinco marchas e 140Cv. Na grade dianteira em vez do símbolo da Chevrolet estava "Diesel”, em referência ao motor .
Seu principal concorrente - o Ford F-600, na configuração toco, entregava basicamente a mesma relação custo-benefício. Mas na prática, o Chevrolet D-60 tinha uma manutenção um pouco mais barata e o preço do modelo zero km nas concessionárias era também mais em conta. Em 1968, seria lançado o segundo diesel, o D-65, com 142 cv. Também foi disponibilizada a variante P, a diesel ou gasolina, com eixo e suspensão traseiros reforçados, aumentando a capacidade de carga para até 7,8 toneladas.

Durante a década de 1970, iniciou a febre dos caminhões no Brasil. A indústria automobilística brasileira nunca havia produzido tantos utilitários nas configurações toco e truck. O motivo foi a explosão da indústria brasileira, ainda durante a década de 1970, que arrastou outros segmentos, como o crescimento e funcionamento dos portos, como o de Santos SP. Nesse período, a GM decidiu pela construção de uma fábrica de motores Detroit Diesel no país (que teria vida curta).
Ainda que a Chevrolet fosse líder incontestável no segmento de caminhões médios a gasolina (71,7% do mercado, em 1974, contra 24,4% da Ford) e ocupasse o segundo posto no mercado total (respondendo por 25,6%, depois da líder Mercedes-Benz), sua presença na frota diesel era inexpressiva, em especial nas unidades de maior porte, cuja demanda vinha crescendo ininterruptamente.
Nessa mesma época, a Ford já passava dos 200.000 caminhões vendidos no Brasil e lançou a F-100, primeira picape nacional. Ainda nos anos 70, com a crise do petróleo, os motores a gasolina perderam terreno e a marca saiu na frente apresentando o F-4000 com motor MWM a diesel. Em 1977, lançou os modelos F-7000, FT-7000, F-8000 e FT-8500, o primeiro cavalo-mecânico da Ford. Já o Caminhão Chevrolet D-60 era o preferido para redes de supermercado, transporte interno dentro de refinarias de petróleo e grandes siderúrgicas, além do trabalho na zona rural, como transporte de cana de açúcar e outros produtos agrícolas.
Em meados dos anos 80 e início dos 90, a GM/Chevrolet não conseguia acompanhar o desenvolvimento do mercado de caminhões e apesar de todos os esforços de renovação, a posição da GM no mercado de caminhões continuou crítica, especialmente após o lançamento do moderníssimo Ford Cargo e a entrada agressiva da Volkswagen Caminhões no segmento dos médios e semipesados. Em 1996, a GM parou de fabricar caminhões no país.

Nos anos 1990, a rivalidade começou a mudar de tom. Depois que a Chevrolet, que até então mantinha sua linha de caminhões médios e semipesados no Brasil, decidiu se retirar desse mercado, focou sua produção em picapes e veículos menores. A Ford seguiu na briga, investindo fortemente na sua linha Cargo e F-Series, tentando conquistar uma fatia ainda maior dos caminhões urbanos e de carga. No entanto, em 2019, a própria Ford anunciou a saída da produção de caminhões na América do Sul, encerrando um ciclo que foi palco de décadas de rivalidade direta com a Chevrolet nesse segmento.
Apesar de hoje a disputa direta entre as marcas no setor de caminhões ter ficado no passado, a rivalidade permanece viva nas picapes — como a eterna batalha entre a Ford F-150 e a Chevrolet Silverado, especialmente nos mercados norte-americano e canadense, onde ambos são líderes absolutos. E, claro, permanece também na memória dos caminhoneiros brasileiros que viveram as décadas douradas desse embate, onde, seja com o oval azul ou com a gravatinha dourada, o que valia era ter um caminhão forte, valente e capaz de encarar qualquer estrada do país.
E aí, em qual time você está nessa rivalidade? Time Ford ou Time Chevrolet? Comenta aqui qual curiosidade histórica sobre caminhões você gostaria de saber mais!
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