Projeto da Copersucar utiliza biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar para abastecer caminhões Scania de 460 cv em operação real entre usina e Porto de Santos
O transporte rodoviário pesado brasileiro começou a viver uma transformação que, até poucos anos atrás, parecia distante das aplicações mais severas. Caminhões movidos a gás já operam em composições de nove eixos, transportando até 74 toneladas de açúcar rumo ao Porto de Santos, em uma rota sustentável criada pela Copersucar.
Batizado de “Bio Rota”, o projeto conecta usina, produção de biometano, transportadoras e operação portuária em um único ecossistema logístico. O diferencial está no combustível: os caminhões são abastecidos com biometano produzido a partir da vinhaça, um resíduo gerado durante o processamento da cana-de-açúcar.
A operação utiliza caminhões da Scania equipados com motor de 460 cavalos na configuração 6x4, preparados para aplicações de nove eixos em rodocaçamba. Segundo os responsáveis pelo projeto, o objetivo é mostrar ao mercado que o transporte pesado a gás já atingiu nível de produtividade e desempenho comparável ao diesel.
Até pouco tempo, os caminhões movidos a gás estavam concentrados em aplicações urbanas, especialmente em operações de coleta e distribuição. Agora, o cenário começa a mudar rapidamente com a chegada de versões mais potentes destinadas ao transporte rodoviário pesado e percursos mistos.

De acordo com a Scania, paa chegar a esse resultado, foi preciso um trabalho pesado na configuração do caminhão. Marcelo Gallao, Diretor de Negócios da Scania Brasil, contou que todo o sistema de transmissão precisou passar por modificações: “Esse caminhão entrega 2.300 Nm de torque, muito próximo das versões diesel equivalentes. A grande diferença está no comportamento do motor ciclo Otto, então nós recalibramos toda a transmissão para garantir arrancada forte, retomada e produtividade na operação pesada. O motorista praticamente não sente perda de desempenho”, explicou.
As primeiras marchas receberam relações mais reduzidas, enquanto as últimas utilizam overdrive para manter rotações mais baixas na estrada. O resultado, segundo os operadores, é uma sensação de força semelhante, ou até superior. de um caminhão diesel convencional em determinadas situações.
Outro ponto destacado é o conforto operacional. Por utilizar motor ciclo Otto, o caminhão gera menos ruído e menos vibração. Segundo a fabricante, a redução sonora chega a aproximadamente 25% em comparação aos modelos movidos exclusivamente a diesel.

Além disso, o veículo não utiliza sistema SCR nem Arla 32, já que a tecnologia de emissões do motor a gás funciona de maneira diferente. A ausência de material particulado também aparece entre os principais benefícios ambientais da operação.
Na configuração original, os caminhões possuem autonomia aproximada de 450 quilômetros. Porém, a aplicação mostrada no projeto utiliza tanques suplementares instalados atrás da cabine, permitindo alcançar cerca de 700 quilômetros de alcance operacional.
Segundo Gallao, a evolução da tecnologia permitiu que os caminhões a gás deixassem de atuar apenas em operações urbanas e passassem a ganhar espaço em aplicações severas. “Antes, o gás estava muito concentrado em caminhões 4x2 e 6x2 para distribuição e coleta urbana. Agora, nós já vemos aplicações 6x4 em operações de nove eixos, transporte de açúcar e até operações de 74 toneladas descendo a Serra de Santos”, destacou.

A proposta da Bio rota vai além do caminhão. A iniciativa busca provar que a cadeia sucroenergética pode gerar seu próprio combustível utilizando resíduos do próprio processo industrial. A vinhaça, antes utilizada apenas como fertilizante, agora passa por biodigestores que capturam o gás gerado durante a decomposição orgânica.
O executivo também ressaltou a importância do biometano produzido dentro da própria cadeia sucroenergética. “O mais interessante desse projeto é justamente o ecossistema completo. A usina produz o combustível a partir da vinhaça, abastece os caminhões e ainda mantém o resíduo como fertilizante no canavial. É um modelo sustentável, economicamente viável e que mostra como o transporte pesado pode reduzir emissões sem perder produtividade”, afirmou Gallai.
Após a extração do biometano, o resíduo continua sendo utilizado na lavoura por conta da alta concentração de potássio, mantendo sua função agrícola. O modelo cria uma espécie de economia circular dentro do setor sucroenergético.

A Cocal foi apontada como uma das pioneiras nesse sistema de produção de biometano. Além da vinhaça, a empresa também utiliza torta de filtro, outro resíduo industrial da cana, para manter a geração de combustível mesmo fora do período de safra. O projeto também reúne transportadoras parceiras como Transvale, Reiter e Getone, que operam os caminhões em rotas reais entre usinas e o Porto de Santos.
Outro detalhe importante está na segurança operacional. Todos os caminhões a gás utilizados nessa aplicação saem equipados com retarder de fábrica, compensando a menor retenção natural do motor ciclo Otto em descidas longas, como na Serra de Santos.
O avanço do biometano no transporte pesado já começa a ganhar espaço no Brasil, especialmente em setores ligados ao agronegócio e à logística de commodities. A tendência é que aplicações severas, antes consideradas exclusivas do diesel, passem gradualmente a dividir espaço com soluções movidas a gás renovável.
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