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Produção e venda de caminhões fecha 2025 com queda: Mercado de pesados recua 20,5%

Produção e venda de caminhões fecha 2025 com queda: Mercado de pesados recua 20,5%

Setor aposta no programa de renovação de frota para impulsionar um crescimento de até 1,4% em emplacamentos; segmento de ônibus fecha com alta de 6,8%

A produção e as vendas de caminhões no Brasil encerraram 2025 em queda, segundo dados consolidados divulgados pela Anfavea, associação que representa as montadoras. Ao longo dos doze meses do ano, foram fabricados 124.116 caminhões no país, número 12,1% inferior ao registrado em 2024, quando a produção somou 141.252 unidades. O desempenho contrasta com o avanço do mercado automotivo como um todo e evidencia as dificuldades enfrentadas pelo setor de transporte de cargas.

Mesmo com o crescimento de 2,1% nos emplacamentos totais de autoveículos em relação a 2024, o segmento de caminhões registrou retração de 9,2% no acumulado do ano. O resultado reflete, principalmente, os efeitos da taxa Selic elevada, da dificuldade de acesso ao crédito e de um ambiente econômico mais conturbado para transportadores e frotistas.

Entre os caminhões, o impacto foi ainda mais severo no segmento de pesados, tradicionalmente ligado ao transporte rodoviário de longas distâncias e a operações de maior escala. Segundo a Anfavea, as vendas desses modelos recuaram 20,5% em relação a 2024, refletindo um movimento claro de retração dos investimentos por parte dos transportadores. Caminhões pesados exigem aportes financeiros elevados, normalmente associados a financiamentos de longo prazo, o que, em um cenário de juros altos e crédito mais restrito, acaba postergando decisões de compra.

Além disso, a instabilidade no volume de cargas, a pressão sobre os custos operacionais e a dificuldade de repassar aumentos ao valor do frete fizeram com que muitas empresas optassem por estender a vida útil da frota, priorizar a manutenção dos veículos existentes ou direcionar investimentos para segmentos mais versáteis e de menor risco, como os caminhões médios e semipesados. 

No cenário geral da indústria automotiva, o Brasil encerrou 2025 com 2,69 milhões de autoveículos emplacados, um volume que, apesar de indicar recuperação em relação aos anos mais críticos do período pós-pandemia, ainda permanece cerca de 100 mil unidades abaixo do patamar registrado em 2019, último ano de plena normalidade do mercado. Esse dado evidencia que a retomada do setor ocorreu de forma desigual entre os segmentos.

Por outro lado, a produção combinada de caminhões e ônibus apresentou resultado positivo. Em 2025, o setor produziu cerca de 152 mil unidades, e a projeção da Anfavea para 2026 aponta crescimento de 1,4%, totalizando aproximadamente 154 mil veículos. A estimativa, embora moderada, sinaliza uma expectativa de estabilização gradual do mercado.

No recorte mensal, dezembro trouxe um leve sinal de reação. Os emplacamentos cresceram 10,5% em relação a novembro, movimento típico de fechamento de ano, ainda que insuficiente para reverter o resultado negativo do acumulado anual. A produção, porém, caiu no mês, somando 5,7 mil caminhões, contra 9,6 mil unidades fabricadas em novembro, reflexo do menor número de dias úteis e do recesso coletivo nas fábricas.

Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, “o patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas” seguem limitando uma recuperação mais consistente do setor. Para a entidade, o mercado de caminhões em 2026 deve apresentar comportamento semelhante ao observado no segundo semestre de 2025, com crescimento contido e desafios estruturais para o transporte rodoviário de cargas.

No comércio exterior, as exportações de veículos avançaram 32,1% em 2025, alcançando 528,8 mil unidades. No entanto, o impacto direto desse desempenho sobre os caminhões permanece restrito. Para 2026, a Anfavea projeta leve alta de 1,3% nas exportações, puxada principalmente pela demanda da Argentina, sem indicar uma reversão imediata no mercado interno de caminhões.

A combinação de juros elevados, crédito restrito e margens operacionais pressionadas manteve transportadores e frotistas em postura cautelosa, adiando investimentos de maior porte e tornando o segmento de pesados particularmente sensível ao ritmo da atividade econômica e à confiança do setor produtivo. E diante desse cenário, o setor aposta em iniciativas como programas de renovação de frota e em uma gradual melhora do ambiente econômico para sustentar a recuperação. Ainda assim, a trajetória dos caminhões seguirá fortemente condicionada ao custo do crédito, à confiança dos transportadores e ao ritmo da atividade logística no País.

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