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O dia em que rodei no caminhão mais rápido do mundo

Há cerca de uma semana recebi a confirmação de que participaria de um dia inédito na história dos caminhões no Brasil, a passagem do Iron Knight, da Volvo, pelo país.

Para aqueles que não ligaram o nome à pessoa, o Iron Knight é, nada mais, nada menos, do que o caminhão mais veloz do mundo. Ele possui os recordes mundiais de distância em menor tempo, para caminhões. Percorreu 1.000 metros em, apenas, 21,29 segundos. E também é recordista na distândia de 0 a 500 metros, feito em 13,71 segundos. Além dos recordes em distância, ele também chegou a bater 276 km/h em medições oficiais da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), mas, nos bastidores, falaram que ele alcançou mais de 300 km/h.

Penso que, se eu começasse a escrever essa linha e ele arrancasse, quando eu chegasse ao fim dela, o Iron Knight já estará há um quilômetro de distância, ou mais.

Ao saber disso, minha empolgação em ver de perto essa máquina foi crescendo. O encontro seria numa pista em Americana, interior de São Paulo. Me preparei e madruguei para encontrar com o Camilo, cinegrafista do Planeta Caminhão, que iria comigo para o evento (encontraríamos o Sérgio Kaskanlian e o Roberval Andrade por lá).

No caminho, pensava de onde vinha essa paixão por adrenalina e na empolgação em conferir a velocidade de perto. Lembrei-me dos domingos de manhã no fim dos anos 1980 e início dos 90, quando madrugava com meu pai para assistir corridas. As disputas entre Senna e Prost, o surgimento de Schumacher, a vitória de Felipe Massa em Interlagos após anos sem uma vitória brasileira no autódromo e a decepção da perda do título, do mesmo Massa, na última curva da corrida.

Também veio à minha mente quando, há pouco mais de quatro anos, comecei a trabalhar com caminhões e fui incumbido de cobrir a Fórmula Truck e, posteriormente, a Copa Truck. Acompanhar as corridas de caminhões se tornou uma diversão. Conheci os pilotos nos boxes, entrevistei quase todos os principais nomes da categoria e vi os pesados em ação no mesmo autódromo de Interlagos, que me emocionava quando mais novo.

De volta ao mundo real, chegamos à Americana. O Iron Knight estava na garagem recebendo os últimos preparativos para ser colocado na pista. Pouco mais de meia hora depois ouvi o ronco do motor pela primeira vez.

Meu primeiro contato com o Iron Knight.

O piloto sueco Boije Overbrink estava dando as primeiras voltas na pista, para aquecer. Quando o caminhão passava pela reta, local onde eu estava, ouvia apenas o ronco subindo e os pneus cantando no asfalto. Que sensacional era ver aquele caminhão rodando.

Boije Overbrink e seu parceiro, o Iron Knight

Após organizarmos como seria feita nossa gravação, arrumar câmeras, definir todo o trabalho, decidimos que eu seria o primeiro passageiro de Overbrink. Em outras palavras, seria o primeiro a ter o prazer de rodar no Iron Knight. Que honra!

Balaclava colocada, capacete apertado, chegou a hora! Minha volta começou de um lugar diferente, pois estávamos fotografando e filmando o caminhão numa curva. Então, quando entramos na primeira volta, ele já tinha velocidade e já na primeira reta ele chegou bem próximo dos 200 km/h.

Grudei no banco, extasiado com a velocidade que as coisas passavam ao meu lado. Fim da primeira reta, ainda não conhecia a pista, achei que naquele ponto ele diminuiria a velocidade, para levar o caminhão de volta até o início da pista. Me enganei. Após uma curva, ele sai novamente em alta velocidade. 175 km/h em poucos segundos e o barulho das turbinas subindo a aceleração.

É um motor de 2.400 cavalos, com 6.000 Nm de torque, em um veículo de 4,5 toneladas. É difícil mensurar com palavras o que esse caminhão faz, mas é incrível! Eu gritava de emoção, enquanto Overbrink me perguntava se podia acelerar mais ou se eu estava satisfeito com o que tinha visto.

A resposta, obviamente, foi “acelera, pode acelerar!”

Começamos a segunda volta, seriam meus últimos metros dentro daquele caminhão. Queria aproveitar ao máximo e assim foi. Ele saiu da curva final para iniciar a reta e o velocímetro começou a subir.

Pela primeira vez estive dentro de um veículo que acelerava acima da marca de 200 km/h. Chegamos a bater cerca de 205, antes de começar a desaceleração para a curva. Na saída da curva, 180 km/h. É absurdo como o Iron Knight consegue desenvolver facilmente essas altas velocidades.

Mais alguns metros de pista, as curvas finais e Boije encostava o caminhão. Me despedia do caminhão, ainda meio atordoado.

Continuei acompanhando as voltas do Sérgio e do Roberval, mas já mais compenetrado na produção da gravação. Ainda assim, a cada passagem dele pela reta ficava impressionado com a velocidade.

Depois de uma manhã muito quente em Americana o caminhão também precisou de descanso. Enquanto finalizávamos nosso trabalho, ele foi reabastecido e ficou à disposição para filmarmos mais cenas e entrevistas nele.

Voltei para São Paulo com sensações distintas. Uma de dever cumprido, o Planeta Caminhão fez um grande trabalho na cobertura da passagem do Iron Knight pelo Brasil. Sentia também a felicidade de ter vivido uma experiência única que, provavelmente, não terei a oportunidade de repetir. Mas, acima de tudo, sentia que a imagem daquele “Cavaleiro de Ferro” passeando pela pista, a mais de 200 km/h, não vai sair tão cedo da minha mente.

Para quem quiser ver de perto essa lenda, ele estará na Fenatran 2019, no estande da Volvo. Vale a pena conhecer, uma real experiência para quem gosta de caminhão!

Fernando Rosa é jornalista e responsável pelo portal do Planeta Caminhão. Escreve sobre pesados desde 2015 e, pela primeira vez, rodou em um caminhão tão rápido.

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