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Indústria de pneus registra queda de 7% em vendas no primeiro trimestre de 2026 e perde espaço para importados

Indústria de pneus registra queda de 7% em vendas no primeiro trimestre de 2026 e perde espaço para importados

Setor comercializou 8,7 milhões pneus, 700 mil a menos que o primeiro trimestre de 2025; Vendas para reposição puxaram a queda, com 8,2% de retração
 

A indústria nacional de pneus começou 2026 em ritmo de desaceleração e com preocupação crescente em relação ao avanço dos produtos importados no mercado brasileiro. Dados divulgados pela ANIP mostram que o setor fechou o primeiro trimestre com retração de 7% nas vendas internas, pressionado principalmente pela queda no mercado de reposição e pelo aumento da participação de pneus vindos do exterior.

A ANIP, entidade que representa os principais fabricantes globais instalados no país, informou que a indústria brasileira de pneus comercializou 8,7 milhões de unidades no mercado doméstico durante o primeiro trimestre de 2026. O volume representa uma queda de aproximadamente 700 mil pneus em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram vendidas 9,4 milhões de unidades no país.

Segundo a entidade, o desempenho negativo reflete principalmente o crescimento da entrada de pneus importados no mercado brasileiro, cenário que, de acordo com a associação, vem gerando desequilíbrios competitivos para a indústria instalada no país.

A ANIP também aponta preocupação com práticas consideradas desleais de concorrência, como casos de dumping e a comercialização de produtos que, segundo a entidade, não cumprem integralmente exigências ambientais previstas na legislação brasileira.



Com a retração das vendas nacionais, a participação da indústria brasileira no mercado de reposição caiu para 31%, enquanto os produtos importados passaram a concentrar 69% das vendas do segmento. O movimento representa uma inversão significativa em comparação a 2019, quando os fabricantes nacionais detinham aproximadamente 69% de participação no mercado de reposição.

Para Rodrigo Navarro, presidente da ANIP, o cenário atual coloca em risco toda a cadeia produtiva ligada ao setor pneumático brasileiro. “A falta de condições isonômicas de concorrência está colocando em risco todo o ecossistema de produção de pneus no Brasil, o que pode levar o país a uma situação de dependência do mercado internacional, com perda de soberania neste estratégico setor”, afirma o executivo.

Navarro também destaca a importância estratégica da indústria para um país com forte dependência do transporte rodoviário. “Somos um país de modal predominantemente rodoviário. Pneu é um insumo estratégico e medidas precisam ser tomadas para defender a indústria e fornecedores no país”, completa.

Os dados do relatório apontam retração em praticamente todos os segmentos analisados. As vendas de pneus para veículos de passeio apresentaram queda de 6,8% no primeiro trimestre, enquanto o segmento de pneus de carga recuou 7,9%. O mercado de motocicletas foi o único a apresentar estabilidade no período.



O mercado de reposição aparece como principal responsável pela desaceleração do setor, registrando retração de 8,2% nas vendas. Já os fornecimentos destinados às montadoras apresentaram queda de 4,6%. Diante do avanço das importações, a ANIP intensificou as articulações junto ao governo federal em busca de medidas para equilibrar o mercado.

A entidade protocolou no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços um pedido para elevar a alíquota de importação dos pneus de passeio de 25% para 35%. Segundo a associação, a proposta segue movimento semelhante ao adotado por mercados como México e União Europeia, que ampliaram barreiras tarifárias para fortalecer a produção local.

Além das discussões com o governo, a ANIP também vem articulando ações conjuntas com fornecedores da cadeia produtiva, incluindo empresas dos setores de borracha, químicos, aço e têxteis. Em março, a entidade lançou um manifesto em defesa da indústria nacional que, segundo a associação, já reúne o apoio de mais de 40 organizações e entidades ligadas ao setor produtivo. “Muitos setores estão enfrentando o mesmo problema. Nossa causa é evitar a desindustrialização do país, a perda de investimentos e a eliminação de postos de trabalho”, conclui Navarro.



No documento, a ANIP e demais apoiadores propões medidas urgentes ao Governo Federal, com destaque para:

1. Controle de entrada: estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) com base em valores internacionalmente praticados; em análise documental detalhada (antifraude); e de comprovação de cumprimento de metas ambientais já estabelecidas; além destas, possíveis medidas de salvaguarda cabíveis, conforme determinado pelo Governo.

2. Proteção imediata: celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso.

3. Compras públicas sustentáveis: estímulo nas compras governamentais e em linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo, que efetivamente cumpram com a legislação ambiental, e comprovado atendimento às conformidades técnicas vigentes.

4. Isonomia tarifária: adoção pelo Brasil de medidas tarifárias alinhadas com aquelas praticadas por outros países com base industrial forte.

5. Fomento à matéria-prima local: implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração por parte do Governo Federal.

"Com a adoção destas medidas será possível estabelecer bases mais justas de competição, trazendo maior equilíbrio e impedindo a destruição do ecossistema produtivo de pneus no Brasil", diz Navarro. Continue acompanhando o nosso portal para mais reportagens exclusivas sobre transporte, indústria automotiva, logística e os principais movimentos que impactam o setor de cargas e mobilidade no Brasil.
 



 

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