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Rodovias precárias no Paraná elevam custos do transporte e pressionam logística do estado

Rodovias precárias no Paraná elevam custos do transporte e pressionam logística do estado

Pesquisa da CNT aponta necessidade de R$ 4,4 bilhões em investimentos na malha rodoviária paranaense; BR-277 segue entre os principais gargalos do transporte de cargas

 

Mesmo com avanços registrados nos últimos anos, as condições das rodovias do Paraná continuam impactando diretamente o transporte de cargas, aumentando custos operacionais, desgaste da frota e riscos nas estradas. Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que quase metade da malha rodoviária do estado ainda apresenta condições apenas regulares ou ruins, cenário que pressiona transportadoras, motoristas e toda a cadeia logística paranaense.

A infraestrutura rodoviária segue entre os principais desafios do transporte de cargas no Paraná. De acordo com a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, realizada pela Confederação Nacional do Transporte, 42,5% das rodovias avaliadas no estado foram classificadas como regulares, enquanto 8,3% apresentaram condição considerada ruim.

O levantamento aponta que as condições do pavimento impactam diretamente a operação logística e elevam em aproximadamente 24% o custo operacional do transporte rodoviário no Paraná. Segundo a entidade, para recuperar e manter a malha rodoviária estadual em níveis adequados, seriam necessários investimentos estimados em R$ 4,44 bilhões.

Além do impacto financeiro nas operações, a precariedade das estradas também contribui para o aumento do consumo de combustível e das emissões ambientais. A estimativa da pesquisa é que a má qualidade das rodovias provoque desperdício de cerca de 60,4 milhões de litros de diesel ao longo de 2025.

O prejuízo gerado aos transportadores pode ultrapassar R$ 347 milhões, além da emissão de aproximadamente 159,6 mil toneladas de gases de efeito estufa. Outro dado que acende o alerta no setor é o custo dos acidentes rodoviários registrados no estado. Em 2024, os sinistros nas rodovias paranaenses geraram prejuízo estimado em R$ 1,69 bilhão.

Para Thiago Pizzatto, vice-presidente do SETCEPAR, apesar de parte da malha apresentar evolução, corredores logísticos estratégicos seguem operando em situação crítica. “Hoje, os principais pontos de preocupação estão na BR-277, especialmente no trecho de Paranaguá e na Região Oeste, além do Contorno Sul da BR-116 e do Contorno Leste da BR-376. A BR-277, sozinha, concentra 28% dos acidentes e 25% das mortes registradas nas rodovias federais do Paraná em 2025”, afirma.

Segundo o SETCEPAR, os impactos das rodovias deterioradas vão além da segurança viária e atingem diretamente a competitividade das empresas de transporte. Pavimento irregular, buracos e trechos desgastados aumentam o consumo de combustível, aceleram o desgaste de pneus, suspensão e sistemas de freio, além de elevar os custos com manutenção corretiva e reduzir a previsibilidade das operações.

As consequências também recaem sobre os motoristas, que enfrentam jornadas mais desgastantes e maior exposição ao risco nas estradas. “Isso aumenta a fadiga operacional, dificulta a retenção de profissionais e contribui para a rotatividade no setor. Quando o motorista opera constantemente em rodovias deterioradas, o risco de acidentes, falhas operacionais e avarias de carga aumenta significativamente”, ressalta a entidade.

Mesmo diante do cenário desafiador, transportadoras vêm intensificando investimentos em planejamento logístico, monitoramento operacional, controle de jornada e capacitação de motoristas para reduzir parte dos impactos causados pela infraestrutura deficiente.

Ainda assim, o setor avalia que a capacidade de mitigação possui limites enquanto a malha rodoviária não recebe investimentos compatíveis com a demanda logística do estado. “A transportadora consegue minimizar parte dos problemas, mas não compensar totalmente rodovias deterioradas e excesso de demanda. Sem investimentos estruturais, os impactos acabam atingindo toda a cadeia logística”, conclui Pizzatto. Continue acompanhando o nosso portal para mais reportagens exclusivas sobre transporte rodoviário, infraestrutura, logística e os desafios que afetam diariamente caminhoneiros e transportadoras em todo o Brasil.


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