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Rodovias precárias e falta de manutenção aumentam acidentes com caminhões e pressionam transportadoras

Rodovias precárias e falta de manutenção aumentam acidentes com caminhões e pressionam transportadoras

No Maio Amarelo, setor de transporte acende alerta para o impacto da infraestrutura rodoviária nos custos operacionais e na segurança das operações de carga

O transporte rodoviário de cargas, responsável por movimentar grande parte da economia brasileira, enfrenta um problema que vai além do diesel caro e das margens apertadas: a deterioração acelerada da frota causada pelas condições das estradas. Em meio à campanha Maio Amarelo, especialistas e transportadoras reforçam que a combinação entre infraestrutura precária e falhas na manutenção preventiva tem ampliado o número de acidentes envolvendo veículos pesados nas rodovias do país.

Com uma frota nacional de caminhões cada vez mais envelhecida, atualmente com média próxima de 12 anos, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o setor de transporte rodoviário de cargas convive com um cenário de desgaste acelerado de componentes mecânicos e aumento dos riscos operacionais. A precariedade das rodovias brasileiras, somada ao relevo severo e às longas jornadas de operação, vem pressionando os custos de manutenção e ampliando a incidência de falhas mecânicas que podem resultar em acidentes graves.

O tema ganha ainda mais relevância durante o Maio Amarelo, movimento internacional voltado à conscientização sobre segurança no trânsito. Para transportadoras e especialistas do setor, a manutenção preventiva deixou de ser apenas uma estratégia de redução de custos e passou a ocupar papel central na preservação de vidas e na continuidade das operações logísticas.

Dados recentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforçam a gravidade do cenário. No primeiro quadrimestre de 2026, veículos de carga seguiram envolvidos em uma parcela significativa dos acidentes graves registrados nas rodovias federais brasileiras. Levantamentos do início do ano, incluindo operações de fiscalização da PRF, apontam que caminhões estiveram presentes em cerca de 44% das mortes registradas nas estradas federais do país. 

Entre os estados com maior número de ocorrências, Minas Gerais segue liderando os índices nacionais de acidentes, feridos e mortes envolvendo veículos pesados. O estado concentra aproximadamente 13% das ocorrências registradas nas rodovias federais brasileiras, reflexo do alto fluxo de cargas e da sobrecarga da malha viária. 


Ao contrário de mercados mais estruturados, como Estados Unidos e países da Europa, onde a qualidade do pavimento permite ciclos de manutenção mais previsíveis, o transportador brasileiro convive diariamente com o chamado “custo da infraestrutura”. Buracos, trechos irregulares, excesso de peso e pistas deterioradas aceleram o desgaste de sistemas críticos como suspensão, direção e freios, transformando problemas mecânicos em potenciais fatores de risco nas estradas. 

Diante desse cenário, empresas de transporte vêm apostando na renovação acelerada da frota e em estratégias de manutenção preditiva para reduzir falhas inesperadas e aumentar a segurança operacional. A Buzin Transportes é um exemplo desse movimento. A transportadora gaúcha adotou uma política de renovação constante e mantém a idade média de seus 630 veículos abaixo de dois anos.

Segundo a companhia, o modelo permitiu reduzir os custos médios de manutenção para cerca de 4% do faturamento, índice considerado altamente competitivo para operações de grande porte. Mesmo assim, as condições severas das rodovias brasileiras seguem impactando diretamente os veículos mais modernos, inclusive caminhões equipados com tecnologia Euro 6.

O sistema de frenagem aparece entre os pontos de maior atenção das transportadoras. Em regiões de relevo acentuado e pistas degradadas, o superaquecimento e o desgaste prematuro de pastilhas e lonas de freio aumentam significativamente os riscos de colisões e saídas de pista.


Para Leonardo Busin, CEO da Buzin Transportes, investir em frota nova e manutenção preditiva se tornou uma estratégia essencial de gestão de riscos. “O transporte rodoviário no Brasil é uma atividade de altíssima complexidade devido a variáveis externas que fogem ao nosso controle, como a qualidade do asfalto. Quando operamos com uma frota com menos de dois anos de uso, estamos comprando previsibilidade e segurança”, afirma o executivo.

Com margens cada vez mais pressionadas pela inflação de insumos e pelos custos operacionais, o setor caminha para uma nova realidade baseada em logística de precisão, telemetria avançada e monitoramento inteligente de componentes. “O custo de 4% em manutenção só é sustentável porque eliminamos o conserto corretivo e a quebra inesperada na estrada. Hoje, um caminhão parado por falha mecânica não representa apenas prejuízo operacional, mas também um aumento direto do risco nas rodovias”, completa.

A tendência é que tecnologias embarcadas, sensores de fadiga e sistemas de análise preditiva ganhem ainda mais espaço nas operações, permitindo antecipar falhas causadas pelas condições das estradas e aumentando o nível de segurança das viagens.

Mais do que reduzir custos, o objetivo passa a ser evitar acidentes e garantir que a segurança defendida pelo Maio Amarelo saia das campanhas de conscientização e esteja presente, de fato, no dia a dia das rodovias brasileiras. Continue acompanhando o nosso portal para mais reportagens exclusivas sobre transporte rodoviário, segurança nas estradas, tecnologia embarcada e os desafios que impactam diariamente o setor de cargas no Brasil.


 

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