De vendedora a exemplo de mulher no transporte rodoviário de cargas, Sandra escreveu uma história inspiradora, que reforça o crescimento feminino no setor
“Até quando você vai vender alface?” Foi com essa pergunta que a vida de Sandra Vereda de Araújo deu uma virada. Sua história é mais uma dessas que mostram como a determinação pode transformar sonhos antigos em realidade. Natural de Santo André (SP), ela cresceu ouvindo que certos caminhos não eram “coisa para mulher”, mas nunca deixou que isso definisse suas escolhas. O relato, extraído do site do Movimento A Voz Delas, revela a trajetória de uma mulher que decidiu ouvir a própria voz e seguir rumo às estradas.
Desde pequena, Sandra já demonstrava fascínio por caminhões. Aos cinco anos, saía andando pela rua até encontrar uma avenida movimentada só para admirar os veículos pesados. “Foi assim que meu pai me contou e eu me lembrei do momento em que começou minha paixão por caminhões”, recorda. Mesmo com esse sonho guardado na memória, a vida a levou por outros caminhos: trabalhou como balconista, operadora de máquinas e promotora de vendas.
O ponto de virada veio dentro de casa. Um dia, o filho lhe perguntou: “Até quando você vai vender alface no mercado?”. A frase despertou algo que estava adormecido. Ela decidiu pedir demissão, investiu tudo o que tinha para mudar a categoria da habilitação e fazer cursos. Ouviu muitos “nãos” e críticas de que aquilo não era profissão para mulher. Ainda assim, persistiu até conquistar a primeira oportunidade, dirigindo uma van. Depois, surgiu uma vaga em uma empresa de ônibus, em meio a 20 mulheres, foi a única contratada.
Sandra permaneceu dez anos no transporte de passageiros, até enfrentar uma gestão que não queria mais mulheres na empresa. Foi demitida, passou por momentos difíceis, mas logo conseguiu nova chance, dessa vez em um caminhão truck. Ali descobriu a rotina das estradas e sentiu que estava no lugar certo. “Foi ali que percebi meu melhor sorriso, minha realização plena”, conta.

Determinada a avançar, atualizou seu perfil profissional e encontrou a oportunidade que tanto desejava: uma vaga feminina para dirigir carreta. Mesmo sem experiência nesse tipo de veículo, foi transparente na entrevista. O empresário buscava alguém experiente, mas ela não desistiu. Insistiu até receber uma nova resposta. Quando ele perguntou se poderia indicar alguém, foi direta: “Eu sou essa pessoa e tem mais: se eu não conseguir, mudo de profissão”. Ele confiou e lhe entregou uma carreta nova, um Axor 2544 que transportava 33 toneladas.
Ela não decepcionou. Cuidou do equipamento, trabalhou com direção segura e consolidou sua carreira no transporte rodoviário de cargas. Hoje, afirma amar a profissão, mesmo diante dos desafios que as mulheres ainda enfrentam no setor. Também destaca o apoio do Movimento A Voz Delas, que fortalece e incentiva a presença feminina nas estradas.
Sandra costuma dizer que a força da mulher não está apenas no físico, mas na determinação. “Acreditar em você é o início de tudo. É saber que você tem voz. Então, solte sua voz e vá em direção ao sucesso.” Sua trajetória, de vendedora a caminhoneira, é a prova de que o impossível pode se tornar realidade quando alguém decide persistir.
Histórias como a dela mostram que o transporte também é lugar de mulher. Se essa trajetória inspirou você, compartilhe com outras pessoas, apoie iniciativas que fortalecem a presença feminina nas estradas e ajude a dar ainda mais visibilidade para quem decidiu acelerar rumo aos próprios sonhos.

*A história de Sandra foi contada no site do Movimento A Voz Delas
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