Redução nas vendas e exportações impacta ritmo das fábricas; acumulado do ano já mostra retração de 9,3%, aponta Anfavea
A produção de caminhões no Brasil voltou a recuar em novembro, refletindo o desaquecimento das vendas internas e a menor demanda do mercado externo. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que foram fabricadas 9.601 unidades no mês, contra 10.160 caminhões em outubro, o que representa uma queda de 5,5% no período.
Na comparação com novembro do ano passado, o tombo é ainda mais expressivo. Em novembro de 2024, a indústria havia produzido 13.170 caminhões, número 27,1% superior ao registrado agora. O resultado confirma a tendência de desaceleração observada nos últimos meses, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito e de grandes investimentos, como os caminhões pesados.
Esse cenário também já impacta o acumulado do ano. Entre janeiro e novembro, as fabricantes nacionais produziram 118.393 caminhões, contra 130.573 unidades no mesmo intervalo do ano anterior. O recuo de 9,3% evidencia que a indústria vem ajustando o ritmo de produção diante de um mercado mais cauteloso, marcado por juros elevados e menor apetite por renovação de frota.

As vendas de caminhões no mercado interno, segundo a Anfavea, também seguem em patamar inferior ao de 2024 no acumulado do ano, pressionando os estoques das montadoras e influenciando diretamente as decisões de produção. As exportações, que em outros momentos ajudaram a compensar a retração doméstica, igualmente perderam fôlego nos últimos meses.
O segmento de caminhões pesados é o mais afetado nesse contexto. Dependente de financiamentos de longo prazo, ele sofre diretamente com o atual nível da taxa básica de juros, que encarece o crédito e adia decisões de compra por parte de transportadoras e frotistas. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, o momento exige atenção. “O segmento de pesados, o mais impactado pelos juros elevados, precisa de um olhar mais atento para que retorne a patamares normais e o setor possa garantir a manutenção de empregos”, afirmou o executivo.
Apesar do desempenho negativo em novembro, a indústria acompanha com cautela os próximos meses, na expectativa de uma melhora gradual do ambiente macroeconômico e de avanços em políticas que incentivem a renovação da frota. O comportamento da taxa de juros, do crédito e da demanda por transporte seguirá sendo decisivo para o ritmo da produção de caminhões em 2026.
Enquanto isso, os números da Anfavea reforçam um cenário de ajuste e cautela na indústria de veículos pesados, que segue buscando equilíbrio entre produção, vendas e preservação da capacidade instalada no Brasil.

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