Produzido em pleno ciclo de industrialização, o LK 312 foi uma das versões apresentadas pela marca para operações com basculante e se tornou símbolo de força nas cidades em crescimento
O ano era 1956. O Brasil vivia o auge do governo Juscelino Kubitschek e seu lema “50 anos em 5”. A indústria nacional acelerava, as cidades cresciam, novas rodovias cortavam o país. Nesse cenário de otimismo e expansão, a Mercedes-Benz se firmava em solo brasileiro apostando forte na nacionalização, quando apresentou o caminhão que mudaria para sempre a história do transporte nacional: o L 312, o primeiro caminhão a diesel produzido no país e o primeiro caminhão médio 100% nacional.
O “Torpedo”, como ficou conhecido por conta do formato alongado do cofre do motor, inaugurou uma nova era no transporte rodoviário brasileiro, trazendo economia, durabilidade e confiabilidade para o caminhoneiro. Movido por um motor seis cilindros em linha, com injeção direta e 110 cavalos de potência, o modelo era capaz de percorrer cerca de 6 km por litro — uma verdadeira revolução para uma época em que todos os caminhões rodavam a gasolina. O Mercedes-Benz L 312 tinha três versões, adaptadas a diferentes operações: a versão simples L, LK e LS.

Folder comercial da Mercedes-Benz no lançamento da família L 312, nas versões L/LK e LS. Foto: MerceDenco / Divulgação Mercedes
Todas as versões seguiam a nomenclatura alemã que vigoraria por décadas: L (Lastwagen, caminhão em alemão), para o caminhão convencional ou caminhão rígido. LK (Kipper, basculante, em alemão), para o modelo basculante de chassi curto e LS (Sattelschlepper, semi-reboque, em alemão ), para o cavalo-mecânico — este último, raríssimo até hoje.Entre elas, o LK 312, com chassi curto, ideal para operações urbanas e de construção civil, ganhou destaque especial e um papel fundamental na expansão urbana e industrial do país.
Tinha também duas opções para encarroçamento: uma versão sem cabine, apenas com capô e para-lamas, que foi a principal matriz de fabricação das lotações que dominaram a cena urbana das maiores cidades brasileiras das décadas de 50 e 60. O L 312 foi o exemplar mais famoso da família, mas hoje queremos destacar a importância do LK 312, pouco lembrado pela história. Lançado em pleno processo de nacionalização, o primeiro caminhão a diesel de médio porte fabricado no país, era equipado com motor nacional e freios hidráulicos com assistência pneumática.
O “K”, indicava sua vocação para o trabalho pesado em espaços reduzidos — como canteiros de obras e vias estreitas, constante no cenário de expansão das cidades, além das operações de infraestrutura, que se multiplicavam no ritmo da industrialização. Por isso a versão LK 312, projetada para operações mais pesadas, rapidamente se tornou um dos modelos mais usados na construção civil urbana e também no transporte de materiais de construção. Compacto, resistente e versátil, o caminhão basculante tinha capacidade de carga de seis toneladas, que o colocava entre os médios mais potentes da época.

O L 312 foi o exemplar mais famoso da família, foi o primeiro caminhão nacional a diesel. O LK 312, de chassi curto, de frente, era idêntico ao L 312, salvo pela inscrição na lateral, que indica a diferença. Foto: Divulgação
Todas as versões compartilhavam a mesma distância entre eixos de 3,20 metros e uma cabine semi avançada metálica, com leve recuo do motor em relação ao motorista, garantindo mais conforto e dirigibilidade. Mas o LK 312 representava um avanço para a produção nacional, pois trazia componentes desenvolvidos pela Sofunge, empresa que seria incorporada à Mercedes-Benz anos depois, além de uma incrível robustez da mecânica e simplicidade de manutenção.
O sucesso da Família L foi tanto que em fevereiro de 1957, apenas um ano após o início da produção nacional, a Mercedes-Benz comemorou seu milésimo caminhão fabricado no Brasil — um L 312 enfeitado com flores e placa comemorativa, entregue em cerimônia que contou com autoridades e o próprio presidente Juscelino Kubitschek. A imagem se tornou um marco do início da indústria automotiva brasileira.
O LK 312, em especial, teve papel fundamental nesse contexto. Ele ajudou a viabilizar o transporte de materiais, ferramentas e insumos durante a construção de estradas, prédios e fábricas — inclusive nas obras de Brasília, símbolo máximo do avanço nacional. Sua durabilidade o tornou um dos caminhões mais queridos entre motoristas e empreiteiros, sendo lembrado até hoje como sinônimo de trabalho e resistência.

Mercedes-Benz LK 312 transportando pela cidade em 1958. Foto: Divulgação

O então Presidente da República Juscelino Kubstcheck, desfilou a bordo de um caminhão L-312 na inauguração da fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo - Foto: MerceDenco / Divulgação Mercedes

Também chamado de Torpedo, o caminhão pertencia a família L (Lastwagen – caminhão em alemão). O título foi dado por conta do cofre do motor que lembrava um projétil. Vendido nas versões L, LK e LS. Foto: MerceDenco / Divulgação Mercedes
Ao longo dos anos seguintes, os caminhões da família L deram origem a modelos ainda mais famosos, como o L 1111 e o lendário 1113, que dominaram as estradas brasileiras por décadas. Mas o LK 312 manteve seu lugar na história: foi ele quem consolidou o conceito de caminhão urbano nacional, adaptado à realidade do país e fundamental para o crescimento das cidades e do transporte rodoviário.
Mais do que um caminhão, o L 312 foi símbolo de um Brasil que acreditava no progresso e na força do trabalho sobre rodas. Hoje, é um dos modelos mais cobiçados por colecionadores e entusiastas, pela importância histórica e pelo charme inconfundível do seu desenho clássico. Encontrar um LK 312 preservado é como abrir uma janela para o passado. Suas linhas arredondadas, o ronco característico do motor e o estilo inconfundível do “Torpedo” despertam emoção em quem viveu — e em quem apenas ouviu — as histórias de um tempo em que o Brasil começava a se construir sobre rodas.
Sete décadas depois, o “Torpedo” segue vivo na memória dos apaixonados por caminhões. Um ícone nascido em uma época em que o Brasil começava a acelerar e nunca mais parou. Você já andou em um Torpedo? Lembrava da versão LK? Participe com a gente e conte sua história com caminhões.

MERCEDES BENZ/LK 312 1958 Exposto na última Feira do Cegonheiro - Expo de Transporte ABCD em São Bernardo do Campo. Foto: Página Grupo Caminhões Antigos e Atuais (Facebook)

MERCEDES BENZ/LK 312 1958 Exposto na última Feira do Cegonheiro - Expo de Transporte ABCD em São Bernardo do Campo. Foto: Página Grupo Caminhões Antigos e Atuais (Facebook)
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