Programas, cursos e iniciativas como “O Movimento A Voz Delas”, “Vez & Voz”, “Caminhos para Elas” e “Rota Feminina” ajudam a aumentar a presença feminina no TRC e no transporte de passageiros
O transporte rodoviário brasileiro vem registrando nas últimas temporadas um crescimento importante de iniciativas voltadas à capacitação de mulheres para carreiras como motorista de caminhão e de ônibus. Essas ações, em sua grande maioria promovidas por montadoras, sindicatos, escolas e plataformas digitais, têm como objetivo reduzir barreiras históricas, oferecer formação técnica qualificada e acelerar a entrada feminina em um setor até então majoritariamente masculino.
Um dado explica a urgência dessas ações: a participação feminina entre motoristas de veículos pesados no Brasil ainda é muito baixa, mas está em plena expansão. Estudos e relatórios do setor apontam patamares na casa de poucos por cento (cerca de 3,4% para heavy-duty), o que evidencia o espaço para crescimento e a necessidade de políticas públicas e privadas de inclusão. Programas focados vêm justamente para alterar essa realidade oferecendo formação prática, suporte e encaminhamento ao mercado.
Entre as iniciativas de maior repercussão está o Movimento A Voz Delas, da Mercedes-Benz, que desde 2019 levanta demandas específicas das caminhoneiras e de suas famílias e promove ações de apoio, sensibilização e capacitação, além de mobilizar parceiros para melhorar infraestrutura e condições de trabalho. O movimento cria espaços de visibilidade e diálogo que ajudam a identificar obstáculos práticos (como infraestrutura de paradas, saneamento e segurança) e a implementar soluções.
No campo institucional e sindical, o Vez & Voz – Mulheres no TRC, iniciativa do SETCESP/FETCESP, tem papel fundamental na articulação com empresas e na promoção de eventos, cursos e premiações que incentivam contratações e lideranças femininas no transporte rodoviário de cargas. O movimento também trabalha a pauta da infraestrutura, transformando pontos de apoio e bases para torná-los mais seguros e acolhedores para mulheres é parte do objetivo.
Programas de formação técnica também estão sendo desenvolvidos com foco na participação das mulheres no setor de transporte. Um exemplo é o Caminhos para Elas, criado através de uma parceria entre Iveco e Sest Senat, que oferece formação gratuita e prática para mulheres interessadas na profissão de motorista profissional, com aulas teóricas, prática em veículos e encaminhamento para o mercado. A iniciativa já avançou para novas turmas e, na sua primeira fase, mais da metade das participantes conseguiu colocação ou encaminhamento profissional.
Em nível nacional, a presença feminina entre condutores de veículos pesados segue baixa, mas cresceu entre 2020 e 2025: em 2022 a Secretaria Nacional do Trânsito (Senatran) apontou que apenas 3,4% dos habilitados para dirigir caminhões, ônibus e carretas eram mulheres, indicador que vem subindo nos anos seguintes com mais emissões de CNH C/D/E e programas de formação. Relatos e levantamentos agregados (CNT, imprensa especializada) indicam que, até 2024, o total de CNHs nas categorias C/D/E com titular feminina estava na casa de cerca de 6% do total dessas categorias, com um aumento expressivo da base de mulheres habilitadas nos últimos cinco anos , crescimento que se refletiu em mais contratações formais no setor.

No mercado de trabalho formal, dados do Novo CAGED e análises setoriais mostraram que a participação feminina nas admissões do transporte terrestre variou: registros recentes apontaram que em 2023 cerca de 25% das contratações formais no transporte terrestre foram de mulheres (valor agregado a ocupações diversas do setor, não só motoristas), enquanto pesquisas de transportadoras e índices de equidade ainda mostram que apenas ~3% das motoristas nas transportadoras são mulheres na ocupação operacional (motoristas) — evidenciando que grande parte das vagas femininas no setor ainda concentra-se em funções administrativas, comerciais e apoio.
Essas taxas de empregabilidade explicam por que fabricantes e entidades vêm investindo nessa agenda, e assim surgem núcleos de mentoria e redes de apoio, como o Rota Feminina, que articulam formação, troca de experiências e networking para mulheres na logística e no transporte. Essas plataformas ajudam a difundir boas práticas, desde preparo técnico até orientações sobre segurança, manutenção básica e procedimentos administrativos, e encurtam a jornada de quem está entrando na profissão.
Por que essas ações existem e por que têm efeito positivo?
Primeiro, porque o mercado enfrenta uma necessidade real de mão de obra: renovação de frotas, expansão de rotas e digitalização aumentam a demanda por motoristas qualificados. Segundo, porque as empresas percebem ganhos concretos ao empregar mulheres: relatórios de operadores e estudos de caso mostram redução de sinistros, maior cuidado com a conservação dos veículos e engajamento diferenciado. Por fim, a combinação de capacitação técnica + acolhimento operacional reduz obstáculos (culturais, logísticos e de segurança) que antes afastavam candidatas.
Ainda há desafios: infraestrutura deficiente em pontos de parada, necessidade de creches e políticas públicas de incentivo, e a superação de estereótipos culturais. Mas o aumento de programas coordenados (montadoras + SEST SENAT + sindicatos + empresas de transporte) junto com os resultados iniciais, que foram vagas preenchidas, mais mulheres habilitadas, mulheres em frota e maior visibilidade, apontam para um crescimento contínuo da presença feminina no setor. Quem sai ganhando é toda a cadeia logística: mais diversidade traduz-se em operação mais resiliente e representativa.
Você ou alguém que você conhece quer entrar no transporte como motorista? Comente abaixo, conte sua história e se inscreva nas iniciativas citadas. Procure por Caminhos para Elas, Movimento A Voz Delas, Vez & Voz, A Voz Delas e Rota Feminina para encontrar cursos e oportunidades. Compartilhe este texto para ajudar a ampliar a rede de apoio e, se quiser, peça que a gente organize uma lista de cursos e vagas atualizada para mulheres motoristas.

Super Motoristas
Comentarios