O CLÁSSICO MERCEDINHO

História de um ícone: o “Mercedinho” 608

Modelo de caminhão leve marcou história no Brasil, desde que foi lançado há 46 anos

O Mercedes-Benz L 608, mais conhecido como “Mercedinho”, é um caminhão histórico brasileiro. Lançado em 1972, foi um dos primeiros caminhões leves do mercado nacional a ter cabine avançada. Foi conhecido por sua robustez, simplicidade de projeto e durabilidade. Alguns probleminhas também fizeram parte de sua história. Aquecimento, vibração, difícil acesso ao motor… Mas, no cômputo geral, o caminhão brilhou nas ruas e estradas brasileiras enquanto foi fabricado, até ser substituído por outros modelos. Ao todo, saíram cerca de 85 mil unidades destes caminhões da fábrica da Mercedes em São Bernardo do Campo, mais de 90% destinados ao mercado nacional e a outra parcela para exportação.

Nascimento

O L 608 D foi concebido pela Mercedes-Benz e lançado no Brasil em 1972 com a proposta de preencher o mercado de cargas urbanas. Embora pequeno, o modelo teve um importante papel no transporte brasileiro. O projeto, vindo da Alemanha, tornou-se um sucesso de vendas, como se tivesse sido feito para o Brasil. Sua primeira aparição por aqui foi em 1970, durante o Salão do Automóvel. A Mercedes trouxe alguns exemplares que já rodavam pela Europa desde 1967.

O lançamento do L 608 D aconteceu em março de 1972. Ele foi primeiramente apresentado em três versões, destinadas a receber os mais diversos tipos de carrocerias. Havia também uma versão chassi para passageiros, implementada pela Caio.

O Mercedinho nasceu com cabine avançada e motor diesel projetado para ele. Um motor de 4 cilindros com injeção direta, leve e compacto, que desenvolvia uma potência de 85 cavalos. A transmissão era manual de cinco velocidades e o Peso Bruto Total era de 6 toneladas.

A posição de dirigir era mais elevada e o para brisa tinha visibilidade maior do que os caminhões até então disponíveis no mercado nesta categoria. Pode-se afirmar que o MB L 608 D foi o primeiro caminhão leve do Brasil com cabine avançada e motorização diesel de manutenção fácil e custo operacional reduzido.

Concorrência

Praticamente não havia concorrentes para o 608 naquela época. A Ford oferecia o F350 a gasolina, lançado em 1959. A F4000 com motor diesel de 99 cavalos só veio em 1975. O primeiro caminhão leve de cabine avançada da Ford só seria lançado muitos anos depois, primeiro, com as cabines Cargo. A Chevrolet só tinha as picapes C14 e o caminhão D60. O leve D40 só foi lançado em 1985. A Volkswagen Caminhões nem existia ainda em 1972 e só lançou seus veículos leves no Brasil dez anos depois.

No primeiro ano de vendas, o 608 já detinha 35% das vendas de seu segmento. Isso ajudou muito a Mercedes-Benz a se firmar no mercado de leves. O Mercedinho era utilizado por todo o Brasil, nos mais variados tipos de entregas.

Ainda nos anos 1970, com o advento do Proalcool, a Mercedes-Benz chegou a lançar uma rara versão L 608 movida a etanol, com o mesmo motor OM314 adaptado para ciclo Otto. Menos de 20 unidades foram fabricadas.

Mudanças

Em 1984, o caminhão apareceu com algumas mudanças. As janelas ganharam quebra-vento e agora eram de levantar, ao invés do velho sistema de correr. O caminhão também ganhou painel novo e retrovisores maiores, além dos novos bancos, mais confortáveis.

Novo nome

Em 1986, o Mercedinho ganhou nova suspensão traseira, aumentando seu Peso Bruto Total para 6,6 toneladas. Com isso, ele passou a se chamar L 708 E. Esse novo caminhão tinha freio motor e manteve as mesmas características estéticas.

Passando o bastão

Em 1988, a Mercedes-Benz preparava o lançamento de novos padrões de cabines para todos os seus caminhões e o Mercedinho terminava seu legado. Depois de 16 anos de fabricação, nasciam seus sucessores: o L709 e o L912. Com novos motores, o OM634 de 4,9 litros e 90 cavalos de potência no L709 e o mesmo motor turbinado com 122 cavalos na versão maior.

A nova cabine foi totalmente reestilizada e era um pouco mais recuada que a anterior. Tinha melhor espaço interno e melhor acesso ao motor. Ele teve melhorias no isolamento térmico e acústico e melhorou as questões de barulho e vibração.

Evolução

O 709 também foi campeão de vendas. Em 1994, foi apresentado o 914, com motor com intercooler e 136 cavalos de potência e caixa de seis marchas. Foi o primeiro de sua categoria a dispor de turbo e intercooler. Nesta época também foi lançado o modelo trucado, denominado 1114, um dos primeiros 3/4 brasileiros a receber terceiro eixo. Ele foi fabricado até 1997.

Em 1996, o 709 ganha motor turboalimentado, passando de 90 para 109 cavalos e passa a se chamar L710.

Motores eletrônicos

O ano de 1998 foi marcado pela chegada do gerenciamento eletrônico aos motores dos caminhões e a Mercedes-Benz lançou dois novos caminhões leves, com novas cabines: o 712 e o 714C, com a mesma cabine basculante dos médios e motores de 122 e 136 cavalos de potência.

Em 2002 o 710 recebeu novo motor de 115 cavalos, passando a atender às normas Proconve P4 de emissões de poluentes.

O fim do Mercedinho clássico

Em 2005, a Mercedes-Benz realizou um grande lançamento de sua linha completa de caminhões com os novos nomes Accelo e Atego. Mesmo assim, a clássica cabine do Mercedinho perdurou até a geração Euro 5, finalizando sua produção em 2012, quando ainda era feito o modelo 712 Plus. Esta foi a história resumida de um clássico caminhão brasileiro. Se você gostou ou se tem algum comentário, por favor, mande sua mensagem!

Leonardo Andrade – Editor-chefe do Planeta Caminhão
leonardo@planetacaminhao.com.br


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