O gaúcho morador do Mato Grosso do Sul, Juliano Milani é dono de um Scania 110 que sofreu algumas modificações e se tornou um jacaré fora do comum. Batemos um papo com ele, para saber mais sobre sua paixão por caminhões e a história desse Scania.

SCANIA 110

Como acontece com muitos dos apaixonados por pesados, o amor pelos caminhões e pela estrada passa de pai para filho. Na história de Juliano Milani esse enredo se repete. Nascido em Garibaldi (RS), Juliano cresceu acompanhando o pai na estrada. Aos 13 anos, em 1993, ele e a família mudaram para Campo Grande (MS), com a mudança nas costas de um bitrem que pertencia ao pai dele.

No Mato Grosso do Sul, Juliano passou a viajar com o pai e motoristas que dirigiam os caminhões da família e, quando chegou a hora de ele ir para a estrada, acabou indo, na verdade, para a oficina e começou a mexer em veículos da transportadora da família e de outros motoristas da região.

Quando começou a trabalhar na oficina, foi também o momento em que Juliano começou a trabalhar na modificação de caminhões.

“Eu comecei a mexer com usina de cana, já que têm muitas aqui no nosso Estado. E lá eu vi esses pneus grandes e na primeira oportunidade que eu tive de comprar, eu já comprei e comecei a montar meu primeiro caminhão, um LK. Eu comprei de um cliente nosso e quando terminei ele eu vendi e comecei a fazer esse jacaré”, conta Juliano.

O projeto do Scania 110

Juliano comprou um Scania jacaré 1979, com a intenção de restaurá-lo. Após o início dos trabalhos no veículo, no entanto, ele não estava satisfeito com a cabine do caminhão. Foi então que ele encontrou o Scania 110 1965.

Scania 110

“Visitando um fornecedor eu vi esse outro jacaré, que tinha um filtro do lado e cabine pequena. Eu lembrei que na época que morávamos no Rio Grande do Sul, meu pai tinha trocado um filtro desses e deixado no portão, que ia para o lugar onde ficava o galinheiro da nossa casa. Quando lembrei disso eu pensei que precisava comprar aquele caminhão”, lembra Juliano.

Ele comprou o caminhão sem motor e aproveitou um Scania 124 2011 tombado, de onde ele comprou o truck com suspensão a ar, o câmbio e o motor do veículo e montou toda a mecânica do 124 no antigo 110.

“Comecei a rebaixar teto, alongar e alargar a cabine. Eu queria fazer ele como relíquia. Restaurar, fazer acabamentos, detalhes, mas aqui, na nossa região, nós não temos gente para fazer esse trabalho ou, pelo menos, eu não achei. Acabei desgostando, por ter gastado muito dinheiro e trouxe ele aqui pra oficina. Aí, tem um senhor que trabalha comigo há anos, que foi chapeiro na Mercedes, e está me ajudando. Fizemos ele meio ‘brutão’ mesmo e ainda estamos trabalhando nele”, conta Milani.

Motor V8 num jacaré?

Após montar o caminhão com o motor do Scania 124, ele adquiriu um LK com motor V8 e resolveu trocar de motor, levando o V8 para o 110.

“Como eu tinha colocado o motor do 124 e troquei pelo V8, o motor ficou muito baixo. Tanto que o radiador, intercooler, toda a parte de ar condicionado, ficou alto e o motor ficou muito baixo. O que eu fiz? Montei esse blower, copiando o que eu vi feito por alguns americanos, e agora ele funciona. Ele é um compressor de ar, que joga o ar para dentro do motor, junto com a turbina. Eu intercoolei ele, porque ele era um motor sem intercooler, virei a turbina e, na entrada da turbina antiga, eu coloquei a entrada do compressor de ar. É assim que ele funciona hoje. É uma coisa feita em casa, adaptada, que nós fomos testando até acertar”, afirmou.

Scania 110 V8
Mas por quê vender?

Apesar do trabalho, investimento e carinho colocado por Juliano Milani na produção do veículo, a falta de tempo acabou fazendo com que ele colocasse o veículo à venda.

“Eu ainda tô fazendo ele, mas na correria do dia a dia eu não consigo mais lidar com ele. Aí, eu parei de mexer com ele e pensei, ‘poxa, vou passar para alguém terminar’. Dá vontade de fazer, terminar, andar, participar de evento, mas fica difícil. Eu coloquei pra vender e, se vender, vendeu. Mas se não vender, também não tem problema, uma hora eu termino ele.”, revela Juliano.

Scania 110 V8

Segundo ele, muitos amigos costumam visitar a oficina para ver o Scania 110 e dizem querer ver o pesado rodando nas mãos dele, mas ele não se apressa e deixa um recado aos amigos da tocada.

“Tem muito caminhão antigo por aí, que foram o início de tudo então, tem que valorizar. Tem os LK, os FNM, tá cheio por aí, e não custa muito cuidar desses equipamentos. É algo que criança gosta, os mais velhos, que quando jovens trabalharam num caminhão desses gostam. Então, vale muito a pena valorizar esses caminhões. Eu não sou muito de aparecer, mas eu gosto de deixar o caminhão as vezes encostado em alguns lugares e vou pra longe e vejo o pessoal indo, tirando foto. É legal demais. Tem que dar valor para esses antigos, é igual dar valor para uma pessoa mais velha, foram eles que começaram, eles que já fizeram muito”, finaliza.



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